1808 e a familia real no Brasil

Há muito tempo não lia um livro de não-ficção tão divertido. Resultado de 10 anos de investigação jornalística, 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, é uma obra espetacular.

Com muito bom-humor, Laurentino Gomes descreve habilmente o desenrolar de fatos que culminaram na vinda da familia real portuguesa para o Brasil e as transformações radicais que tal evento provocou na maior colônia lusitana.

Mostra não apenas a história burguesa, dos fatos grandiosos, mas o cotidiano do Rio de Janeiro, seus costumes, comércio e sociedade.

Um ponto forte são as notas e referências bibliográficas, o livro está recheado delas. Inclusive alguns dos títulos já estão na minha lista, para uma futura aquisição, como “a longa viagem da biblioteca dos reis”.

Em suas 414 páginas, 1808 resgata a importância que D. João VI teve no cenário mundial, a ponto de ser mencionado por Napoleão como “foi o único que me enganou”. A escravidão, a troca de favores e a corrupção são retratadas sem aspectos tendenciosos, abordagem esta adotada por Laurentino durante todo o Livro.

Publicado pela Editora planeta, a obra retrata de maneira hábil e envolvente este que foi um importante momento da história brasileira.

1808 é leitura obrigatória para aqueles curiosos sobre a origem da nação brasileira, sua formação histórica e de seu povo. A venda na submarino.com.

A caminho do grunhido

Estava aproveitando a manhã de Domingo pondo os meus feeds em dia quando um artigo no jacaré banguela (um dos meus blogs favoritos de humor) me chamou a atenção. Era sobre uma estrevista de José Saramago, que em certo momento comentava sobre o twitter. Saramago, que inclusive tem um blog, disse:

saramago-twitte - original http://buzz.globo.com/files/136/2009/08/saramago-twitter-o-globo-2-jb.jpg

Na hora em que li a entrevista, me veio a mente uma sessão nostálgica de uma aula de português no segundo grau (caramba, isso foi no milênio passado...), onde discutimos exatamente isso. O exemplo utilizado foi o seguinte. No Brasil imperial e por algumas décadas que se seguiram, quando se estava em uma roda de amigos e desejava sair, usava-se a seguinte frase:

- Vamos em boa hora.

Muito esquisito, não acham?  Com o passar do tempo, a construção diminuiu para algo menos pomposo:

- Vamos embora.

Ah! Esta eu já ouvi.  Mas a busca pela “melhoria” do idioma movido pela preguiça e inicialmente pelos 140 caracteres do SMS , acabou colocando-a em desuso, incluindo na linguagem falada. Pra que usar duas palavras quando podemos usar apenas uma?

- Vambora!

Agora sim! Estamos quase lá! “Vambora que senão vamos chegar atrasados!”.  Porém, ainda podemos reduzir um pouco mais:

- Bora!

Opa! 4 caracteres! Duas sílabas para pronunciar! “Bora ali buscar uma cerveja pra comemorar”. Mas somos brasileiros, e não desistimos nunca! Dá pra usar só uma sílaba!

-Bó!

Tchan! Perfeito! Aqui em Dili é difícil escutar, mas quando estava no Brasil, era “bó na festa hoje?”, “bó tomar uma?”, “bó no Fisl esse ano?”. Bó pra cima e pra baixo.

Saramago está certo. Estamos a caminho do grunhido! Argh! Wow! Eah!

Aventura de Domingo

Em Dili não se tem muitas opções de diversão. Domingo passado cá estava eu sem muito o que fazer quando recebo um sms dos meus vizinhos, convidando para ir à praia. Eles pretendiam visitar uma feira de artesanato em uma cidade próxima e fazer um “picnic” em uma das praias pelo caminho. Se tem uma coisa que o Timor-Leste tem de bonito são as suas praias. É de encher os olhos. Aproveitei a chance de conhecer um pouco mais da ilha e aceitei o convite.

Chegamos a cidade de Maubara, no litoral Oeste do Timor, em mais ou menos uma hora. São curvas e mais curvas com direito  a montanhas e um visual rústico de interior.

Maubara

As curvas do timor

Não sei se nossa expectativa era grande, mas a “feira” resumia-se a dois quiosques na beira da praia. Porém não vamos reclamar de tudo né? Tinha tais, cestinha de palha, enfeites para porta…

Feirinha

E para a nossa surpresa, em frente a feirinha havia também um forte da época da colonização portuguesa, que logicamente aproveitamos para conhecer. Era bem pequeno, com apenas dois canhões, mas já tornou o passeio mais divertido.

Atacaaaar!

Atacaaaar!

Depois do breve momento cultural, decidimos zarpar. Fomos então em busca de uma praia onde pudéssemos estacionar e encontrar uma sombra. Depois de alguns sobe-e-desce, achamos o lugar “ideal”.

Escolhemos uma árvore, pusemos as esteiras. Melhor do que isso só se tivesse antarctica (ou corona, minha nova paixão) e churrasquinho de um real. Mas como alegria de pobre dura pouco, o “melhor” ainda estava por vir.

Praia em Liquiça

Uns 40 minutos depois chegam dois carros lotados de Indonésios. Em um litoral tão extenso como o do timor, eles foram escolher justo a praia onde estávamos, e mais ainda, a nossa árvore! Isso mesmo, a caravana, em um total de mais de 15, teve a cara de pau de se instalar embaixo da mesma árvore, quase colados na gente. Isso porque havia a imensa quantia de…  um único casal, em toda a praia. A farofada começou em um ritmo frenético e sem o maior pudor. Além de  sem-noção de espaço, a caravana ainda era porca, jogando tudo quanto é latinha e garrafa plástica no chão da praia… :| Quando achávamos que não poderia ficar pior, um outro veículo aportou, desta vez um caminhão!

Caminhão timorense

Caminhão timorense

Qualquer um ficaria desmotivado, chateado, cabisbaixo, mas não Josef Climber o trio brazuca. E eis que aconteceu uma daquelas coisas engraçadas que se você não estivesse presente não acreditaria. Do caminhão emanou aquele som, detestável mas reconhecido:

Me diz o que ela significa pra miiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, se ela é um morango aqui no nordestiiiiiiiiiiii!

A quase 20 mil quilômetros de distância, em uma praia supostamente deserta, em um pequeno país-ilha do sudeste asiático, ser presenteado com morango do nordeste tocou o coração. Era um sinal para relaxar e curtir o dia, deixando de lado todo e qualquer problema. :)

No final das contas, o passeio foi bem legal. E na volta para casa ainda presenciamos um jogo de futebol no cascalho, com direito a arquibancada pra torcida e tudo!

Futebol

Dividir para conquistar

O provérbio é antigo, e tem o seu valor. Ultimamente não tenho escrito para o blog.edermarques.net, mas quando o faço, geralmente são textos não relacionados com Software Livre ou tecnologia.

Alguns leitores (ainda tenho leitores!) relatavam que as vezes era chato ler um relato sobre o Timor-Leste, por exemplo, em meio a um tutorial sobre configuração de subversion  – “sub o quê?”.

Por outro lado, alguns dos planets que distribuem meus artigos são focados na parte técnica, e isso complica quando a quantidade de material não-técnico supera os posts sobre gerência de sistemas, software livre, entre outros.

Assim, decidi separar os artigos em dois blogues. A partir de agora o blog.edermarques.net terá matérias sobre tudo na minha vida não relacionado a parte técnica da coisa. Pois deixar de ser geek ele não tem como, a menos que eu fizesse um implante de nova personalidade. :)

O objetivo da mudança é facilitar um pouco a minha vida, quando estiver a procura daquele manual renegado.

Com isso, estou fazendo uma “limpeza” no material publicado. Tudo o que é técnico será movido para o novo blog:  techbits.edermarques.net

Espero que apreciem a mudança. :)

Um semestre inusitado

É notável como o tempo as vezes passa rápido. A última vez que escrevi para o blog foi em Março. De lá para cá, muita coisa ocorreu.

Terminei (finalmente!) o curso de mergulho. Agora sou associado PADI. Esses dias devo mergulhar novamente, desta vez com uma câmera. :)

Após seis meses distante, trouxe minha noiva para passar as férias comigo. Para compensar todo esse tempo de espera, nada melhor do que as paradisíacas praias da Tailândia. Fizemos safari noturno, rafting, trilha, banho de cachoeira, cruzamos um país de trem. Foi a primeira lua-de-mel, de algumas que pretendo ter antes de oficialmente se casar, hehehehe. Também conhecemos Singapura e Malásia.

Fui alocado em um novo projeto, agora na Procuradoria Geral da República. Provavelmente devo ficar por lá até o retorno ao Brasil, que acontecerá em Novembro.

Aluguei uma casa. Agora tenho uma cozinha para testar meus dotes culinários.

Comecei a estudar para a certificação ITIL, que devo tirar em Setembro.

Terminei de ler a trilogia O Senhor dos Anéis. Muito bom!

Comecei a estudar Francês por conta própria. Estou num curso de revisão de inglês onde existem alunos de mais de 7 diferentes nacionalidades.

Estou planejando minha visita a China mês que vem. Ao solicitar o visto, pela primeira vez fiquei receoso em dizer que “trabalhava com informática”.

Não foi minha intenção ficar sem escrever tanto tempo, mas isso mostra que andei um tanto quanto ocupado.

Não vou fazer promessas, mas tentarei escrever com mais frequencia. Tanta coisa para contar…

4 meses de Timor

Depois de escutar Amado Bastista tocando na rádio dentro do taxi, percebi o quanto de novidades eu havia acumulado para contar.

4 meses de timor. 4 meses sem cinema, livrarias, comida da mamãe. 4 meses sem sexo, sem beijar na boca, sem aquelas discussões sadias que a gente sempre tem
com o irmão caçula.

4 meses longe da minha noiva, dos amigos, da família.

Em compensação, 4 meses de pura novidade. Novos amigos, nova realidade, nova cultura. O timor é um contraste a todo instante. Onde um aluguel pode custar
500 dólares (para “malai”) se isso é mais que o dobro da média de salário nacional?

Nesse meio-tempo, muita coisa aconteceu. A maioria merece um post à parte, como a viagem pelo sudeste asiático, o dia em que estive com um milhão no bolso,
ou mesmo o “morango do nordeste” tocando na balada.

É muito louco ir em uma reunião e de repente perceber que no grupinho conversando tem mais de 5 nacionalidades. E a cena se repetir no supermercado, no restaurante,
no seu dia-a-dia.

É complicado viver em um pais que não tem telefonia fixa (3G, o que é isso???), não tem um sistema de transporte público, e onde a partir das 7 da noite não tem mais taxi.

É maravilhoso viver perto de praias tão lindas, poder caminhar com o laptop sem ter medo de ser assaltado.

Vou tentar escrever com mais frequencia. No país dos contrates, assunto não faltará.

O natal na prisão

Este ano a festa de Natal foi na prisão.Calma, não cometi nenhum crime, tampouco estava visitando algum parente perigoso. Explico: o Ministério da Justiça resolveu fazer uma festa de Natal conjunta para todos os orgãos do sistema (procuradoria, defensoria, juizados, etc) e escolheu como lugar nada mais nada menos que a prisão!

Natal na prisao

A festa foi legal. Havia guardas e pessoas pra tudo quanto é lado (eu sei, guardas são pessoas também, mas minha noiva vai achar mais seguro o lugar com a sentença nessa forma). A comida também estava muito boa. Eu perguntei ao Rubem, um timorense muito gente boa que trabalha comigo se estava tendo uma festa lá dentro para os presos, ao mesmo tempo. Ele disse que não, que os presos estavam lá fora também, com roupas para diferenciar e impedir que eles tentem fugir. Quase tive um treco. Fui conferir com um dos responsáveis pela prisão, e fiquei mais tranquilo em saber que o Rubem estava enganado, eles estavam lá dentro, e não sairiam. :)

Outra coisa interessante que acotneceu foi a chefe de toda a rede penitenciária (são 3 prisões no Timor) pegar o microfone e começar a cantar músicas de natal. E deu um show, a mulher canta muito bem! Estava muito quente, e não tinha sombra para todo mundo, então acabei indo embora logo. Mas essa foi uma daquelas experiências que vou lembrar por muitos anos.

Primeras impressões do Timor

Dia 18 completei duas semanas no Timor. Neste post vou tentar resumir as impressões que tive até agora.

Ao contrário do que pensei, quase ninguém fala português. E o Tetun, idioma local, não é tão parecido com o português, apesar de ter várias palavras de origem portuguesa (assim como inglesa e indonésia).

Ao descer do avião, achei que estava em um filme de ação, desembarcando em uma pista clandestina de tráfico de drogas, pois o aeroporto é todo rodeado por bananeiras.


Caminhamos para o único terminal. Havia uma fila apenas para o staff da UN, e me encaminhei para lá. Depois descobri o porque da fila especial: existem mais de mil internacionais trabalhando aqui.

Havia uma pessoa me esperando no aeroporto, que me levou para o HQ da UN. Passei quase uma semana em meio a briefings, papeladas e vacinas.

Apesar de vir do Nordeste do Brasil, achei o Timor bem mais quente que Fortaleza. Na verdade, o mar não tem ondas, parece mais um grande açude, e devido a umidade, a sensação térmica é bem elevada.

Nas andanças pela cidade, vejo que ainda tem muita coisa queimada e por reconstruir. Afinal, um país que foi queimado duas vezes não se restaura do dia para a noite. Mesmo assim, a impressão que tive foi bem melhor do que imaginava.

Existem restaurantes de todos os tipos, e já provei comida indonésia, tailandesa, portuguesa e inclusive
brasileira. :)

Aproveitei tambem, é claro, para degustar as cervejas locais, e aprendi minha primeira frase em tétun:
mana, bitang ida tan maliri, per favore (Amiga, por favor, mais uma bitang, gelada!). Essencial!

Aqui tem semáforo, mas não tem flanelinha! E você estaciona na rua e não tem ninguém te pedindo pra “guardar o carro”!

Fim de semana é dia de praia. Temos duas muito boas em Dili. No cristo rei, é possível caminhar uns 50m da praia e fazer snorkel em suas águas cristalinas. Belíssimo. Consegui ver, entre outras coisas, um peixe-palhaço! Esse mês ainda irei me matricular na escola de mergulho, e então me aventurar de verdade.

Peixe-palhaco; Foto: Brian Francisco - http://uwet.blogspot.com/

Por enquanto, vou compensando a saudade das pessoas que ficaram no Brasil com a mudança da correria
de Fortaleza pela vida mais tranquila no Timor.

Cruzando o mundo rumo a Dili – segunda parte

Ainda não consegui mudar para um local com internet, por isso os posts ainda não estão freqüentes. Mas vamos continuar com o relato da aventura que foi cruzar o mundo rumo a Díli.

Na primeira parte, falei sobre 3 trechos, os mais longos por sinal. Ficou faltando Austrália e o Timor propriamente dito. Vejamos.

Sidney

Como eu precisava pegar um vôo doméstico até Darwin, tive que sair da parte internacional do aeroporto. Imenso. O maior que vi até agora.

Na aduana, quem me atendeu foi um simpático senhor, com 3 argolas na orelha e o braço esquerdo todo tatuado. Bem diferente do Brasil. Foi ele quem deu a primeira carimbada no meu passaporte.:)

Passei pela fiscalização alimentar numa boa, e me encaminhei para fazer o check-in, desta vez pela companhia Qantas. No saguão, um bom exemplo de diversidade: encontrei pessoas de turbante, e o que mais me chamou atenção, uma jovem senhora de burqa. Vestida completamente “dos pés à cabeça”, só fica mesmo as mãos do lado de fora e uma brecha para os olhos. O detalhe era o marido usando jeans e uma jaqueta americana, mas enfim, cultura é cultura.

Dei uma olhada rápida no duty free à procura de um itouch, mas não achei. Fica pra depois.

A bordo de um Airbus, fiz um vôo tranqüilo até o penúltimo destino, onde passaria uma noite.

Darwin

Ao contrário de Sidney, o aeroporto de Darwin é bem pequeno. Na verdade, acabei descobrindo que é uma cidade pequena também. Procurei um cyber café para enviar notícias a minha noiva, e havia apenas uma única máquina para acesso (com firefox!), a base de moedas. Uma ida a casa de câmbio, e tudo resolvido.

Enviei uns poucos emails e aproveitei para fazer um post. Era mais ou menos meio-dia e o vôo para a Díli seria apenas as 13:30 do outro dia, iria pernoitar lá.

Um amigo havia me indicado um lugar chamado Melaleuca Hostel para me hospedar. Fui ao serviço de informações e me lembrei de outra dica: existe um serviço de transporte chamado shuttle saindo do aeroporto para vários destinos da cidade. Perguntei se passava no melaleuca, e ela informou que sim, e que custaria AU$9,00.

Aqui, ao contrário do Brasil, dirigi-se na direita. Meio esquisito a principio. Pelo caminho vejo que a cidade é muito arborizada, com um ar de interior e vida pacata.

Chego ao ponto final. É preciso apenas atravessar a rua e já estou de frente ao hostel. Solicito um quarto individual e corro pra tomar um banho: já era Segunda e o último havia sido no Sábado de manhã. :D

O hostel é bem bacana. Focado em backpackers, tem quartos compartilhados por AU$ 22,00, com cozinha e banheiros coletivos, além do quarto individual com banheiro privativo, bem mais caro por sinal.

Depois de uma bela descansada, dou uma esticada até o Bar na beira da piscina para provar cerveja australiana e gastar um pouco o inglês. Após umas 3, voltei para o quarto e dormi feito neném. :)

No outro dia, ainda sobre o efeito do jet lag acordei ligadão as 5:30 da manhã. Enrolei até umas 7 e então fui tomar café. Há vários restaurantes ao lado do melaleuca, então não foi problema encontrar um breakfest decente.

Aproveitei para ir ao supermercado para ver o que tinha de diferente, comprei umas blueberry para experimentar (gostosinha a fruta!) e voltei para o hostel.

Ao fazer checkout e pedir um taxi, outra surpresa: o carro era um toyota camry novo, com gps, cambio automático e sistema de navegação(depois acabei descobrindo que a maioria dos taxis é assim). Foi a primeira vez que pensei na hipótese de ser taxista. :)

No aeroporto fiz check-in pela Air-north e tive que pagar excesso de bagagem. Só é permitido 15kg por passageiro, e cada quilo excendente custa AU$ 5,00.

Neste trecho final, uma agradável surpresa: o vôo que me levou a Díli foi feito em um avião da EMBRAER, de nome brasília. :)

O vôo foi tranqüilo (só podia, aeronave brasileira :p) e em menos de duas horas lá estava eu desembarcando no Aeroporto Internacional Nicolau Lobato. Aqui eu passaria pelo menos 6 meses da minha vida.

Quais supresas e novidades me aguardam? pensei, ao pisar em solo timorense. Isto só o tempo poderá responder.

Cruzando o mundo rumo a Dili – primeira parte

Após um período sem conexão fácil a internet e de adaptação ao novo ritmo de trabalho, consegui tempo para postar sobre a aventura que foi sair do Brasil pela primeira vez, e justamente rumo ao outro lado do mundo. Deixem-me registrar a primeira parte da Viagem.

São Paulo

Depois de sair de Fortaleza com o coração na mão por ter deixado minha noiva, família e amigos, chego a São Paulo depois de um vôo calmo. Não tenho muito o que falar da terra da garoa. Fiquei decepcionado de o aeroporto não possuir cinema, então tive que me virar nas cinco horas que fiquei aguardando pela próxima perna.

Santiago, Chile

O vôo foi tranqüilo. A novidade para mim foi o Airbus com tv em todas as poltronas. Através de uma tela touchscreen (havia um controle na poltrona também) poderia escolher entre alguns filmes e séries, além de alguns jogos (xadrez, paciencia, blackjack, etc). Momento geek: após um delay/sobrecarga no sistema, recebi uma mensagem de erro, e assim descobri que sistema rodava em cima de php com mysql!

O momento mais interessante da viagem foi quando sobrevoamos a cordilheira dos andes. Simplesmente espetacular. Tenho que ir lá com a Layla um dia desses…

Já no aeroporto, o que me deixou maluco mesmo foi uma loja chamada Rumbo Sur. Nela encontrei pelo menos 8 tipos diferentes de pingüins de pelúcia, um de quase um metro de altura. Comprei um africano e um imperial. Na volta para Fortaleza vou comprar o grandão. :)

O peso chileno é bem desvalorizado em relação ao dólar: 1×642,50, então não precisei gastar muito.

A parte triste foi que na aduana tomaram o meu desodorante. Teria que viajar fedendo por pelo menos mais 14 horas…

Auckland

A próxima parada foi em Auckland, na Nova Zelândia. Neste vôo aproveitei para assistir novamente ao novo filme do Batman. Fatos que me chamaram atenção:

- havia um carrinho de golfe para transportar os idosos.

- Listas telefônicas ao lado de todos os telefones, sendo que havia um para fazer ligações locais gratuitamente. Os telefones também aceitavam cartão de credito.

- Aqui a primeira novidade em viagens internacionais: o rígido controle (ainda bem que me avisam antes, então não tive problemas) sobre comida, materiais feitos com animais ou plantas. A multa para quem não declara e é pego com algo do tipo é de no mínimo 200 doletas.

Aqui também foi tranquilo. Esperei pouco mais de uma hora pelo próximo vôo (que seria na mesma aeronave) para Darwin, onde iria passar um dia. Porém isso é papo para outro post.