Honoráveis bandidos

É impressionante o quanto uma única pessoa pode estar envolvida em tantos escândalos.

Em suas 207 páginas, o livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória, retrata as bandidagens e trambiques do clã maranhense que há mais de meio século está envolvido no lado fétido da política nacional.

Com uma abordagem inteligente, Palmério destrincha a vida pública do coronel do Maranhão, que de assessor de Paulo Maluf ao seu terceiro mandato como presidente do Senado (o livro é de 2009, e o Brasil ainda veria em 2011 esse lamentável fato acontecer novamente) desviaria bilhões de reais do erário.

A cada página a indignação aumenta, tamanha a cara-de-pau das personagens. Nomes conhecidos da cúpula nacional são citados, em um emaranhado de troca de favores, corrupção e tráfico de influência que deixaria qualquer mafioso italiano de outrora com inveja.

O livro, por listar “de cabo a rabo” toda uma rede de bandidagem que – infelizmente – ainda se estende de Brasília para o restante do país, é um verdadeiro “memoriol” para nós brasileiros, que sofremos da síndrome da memória política curta.

Considero uma obra que deveria ser lida por todo aquele que completa 16 anos e se torna habilitado ao sufrágio universal. Seu índice remissivo é um verdadeiro tesouro para a busca da vida pregressa de políticos e ocupantes de cargos públicos.

Honoráveis bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, é um tapa na cara, mais na nossa que na deles, que mesmo diante de tantas tramóias, ainda elegemos tais pessoas como nossos representantes.

Leitura recomendada, embora para aqueles de estômago fraco, seja necessário um bom estoque de dramin.

5 Responses to “Honoráveis bandidos”

  1. Isso também me indigna muito, Eder. Entretanto, fico ainda mais indignado com a estupidez do nosso povo!

  2. Muito boa a resenha! Assim que acabar de ler o Princípe de Maquiavel, vou ler esse livro!

  3. Sidney Diniz on June 16th, 2011 at 16:05

    Infelizmente isso nao vai acabar o povo e cupado disso tudo,Sarney pode ser tudo isso mais nos colocamos eles no poder.

  4. O mais irônico nisso tudo é fazer esse povo (o maranhense ) ler e entender o que está escrito nesse livro. Como? O Maranhão é um Estado cheio de analfabetos e semianalfabetos. Uns não vão conseguir ler nunca. Outros vão ler mais não vão entender nada. E aí? O que fazer?

  5. O único problema aí é que eles vão dos Estados para Brasília e não o contrário.

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