O quinze
“Colocou a luz sobre a mesinha, bem junto da cama - a velha cama de casal da fazenda - e pôs-se um tempo à janela, olhando o céu. E ao fechá-la, porque soprava um vento frio que lhe arrepiava os braços, ia dizendo:
- Eh! a lua limpa, sem lagoa!, Chove não!”
No fim de semana passado, concluí a leitura de O quinze. Há muito que desejava conhecer tal obra, mas o acaso só a pôs em minhas mãos poucos dias atrás.
Clássico da literatura Cearense (e Nacional), este livro escrito em 1930 por Rachel de Queiroz - então com 20 anos - retrata no paralelismo de duas histórias as paixões que moviam os habitantes do Ceará durante a grande seca de 1915.
Tendo como pano de fundo um sertão árido, estéril e cruel, nos mostra o sofrimento dos retirantes e do gado, suas aflições e fé em santos que enviariam a tão necessária chuva.
Ao mesmo tempo, é este mesmo Sertão que inspira a paixão pela terra no coração dos vaqueiros, que faz suspirar as moçoilas em busca de um amor semelhante aos contos franceses, tão comuns à época.
Em seu belíssimo texto, em que o resgate do linguajar sertanejo nos fascina a cada linha, Rachel nos conta na primeira linha temporal da obra a história de Vicente e Conceição. O romance não assumido dos dois, o contraste entre o vaqueiro rústico e a professorinha prendada , nos transporta aos namoros da época, aos desejos e aspirações, além dos valores e costumes sociais de outrora.
Em outra vertente, a autora descreve a história de Chico Bento e sua família. Vítimas do infortúnio da seca, são obrigados a deixar o sertão em busca da cidade grande, na esperança de dias melhores. A fome, a sede e a miséria são os companheiros de viagem destes retirantes, o seu sofrimento retratado a cada curva da inclemente estrada que deveria levá-los a uma sorte melhor.
O desejo pela tão almejada chuva torna-se nosso, como a esperar pela carta de alforria que o poderoso gotejar nos grandes telhados vermelhos parece poder trazer.
Em suas 81a edição, trata-se de leitura mais que recomendada.





Sim… mais que recomendado…
Faz tempo que li esse livro, lembro de ter apreciado cada página, há poucos eu fiz uma pesquisa para dar uma aula sobre a Praça do Ferreira, e logo me lembrei que ela tinha sido ponto de concentração dos retirantes da seca do 15. E voltei lá, ao livro para reler, fiquei impressionada como a autora me fez sentir aquele ambiente… para completar eu fui ao Museu da Imagem e do Som e selecionei imagens da praça do Ferreira durante os anos, foi melhor do que assistir qualquer filme!
Ah, sabia que o Bode Ioiô veio com um dos retirantes, naquele período?
Eu também o li saboreando cada detalhe. Sobreo o Ioiô, eu não sabia desse detalhe…
Por falar em bode Ioiô, estou preparando uma categoria do blog só com artigos sobre História do Ceará….Esse mês sai o 1o. Será que sobre o famoso bode? :p
Aguarde e confie.