Primeras impressões do Timor

Dia 18 completei duas semanas no Timor. Neste post vou tentar resumir as impressões que tive até agora.

Ao contrário do que pensei, quase ninguém fala português. E o Tetun, idioma local, não é tão parecido com o português, apesar de ter várias palavras de origem portuguesa (assim como inglesa e indonésia).

Ao descer do avião, achei que estava em um filme de ação, desembarcando em uma pista clandestina de tráfico de drogas, pois o aeroporto é todo rodeado por bananeiras.


Caminhamos para o único terminal. Havia uma fila apenas para o staff da UN, e me encaminhei para lá. Depois descobri o porque da fila especial: existem mais de mil internacionais trabalhando aqui.

Havia uma pessoa me esperando no aeroporto, que me levou para o HQ da UN. Passei quase uma semana em meio a briefings, papeladas e vacinas.

Apesar de vir do Nordeste do Brasil, achei o Timor bem mais quente que Fortaleza. Na verdade, o mar não tem ondas, parece mais um grande açude, e devido a umidade, a sensação térmica é bem elevada.

Nas andanças pela cidade, vejo que ainda tem muita coisa queimada e por reconstruir. Afinal, um país que foi queimado duas vezes não se restaura do dia para a noite. Mesmo assim, a impressão que tive foi bem melhor do que imaginava.

Existem restaurantes de todos os tipos, e já provei comida indonésia, tailandesa, portuguesa e inclusive
brasileira. 🙂

Aproveitei tambem, é claro, para degustar as cervejas locais, e aprendi minha primeira frase em tétun:
mana, bitang ida tan maliri, per favore (Amiga, por favor, mais uma bitang, gelada!). Essencial!

Aqui tem semáforo, mas não tem flanelinha! E você estaciona na rua e não tem ninguém te pedindo pra “guardar o carro”!

Fim de semana é dia de praia. Temos duas muito boas em Dili. No cristo rei, é possível caminhar uns 50m da praia e fazer snorkel em suas águas cristalinas. Belíssimo. Consegui ver, entre outras coisas, um peixe-palhaço! Esse mês ainda irei me matricular na escola de mergulho, e então me aventurar de verdade.

Peixe-palhaco; Foto: Brian Francisco - http://uwet.blogspot.com/

Por enquanto, vou compensando a saudade das pessoas que ficaram no Brasil com a mudança da correria
de Fortaleza pela vida mais tranquila no Timor.

Cruzando o mundo rumo a Dili – segunda parte

Ainda não consegui mudar para um local com internet, por isso os posts ainda não estão freqüentes. Mas vamos continuar com o relato da aventura que foi cruzar o mundo rumo a Díli.

Na primeira parte, falei sobre 3 trechos, os mais longos por sinal. Ficou faltando Austrália e o Timor propriamente dito. Vejamos.

Sidney

Como eu precisava pegar um vôo doméstico até Darwin, tive que sair da parte internacional do aeroporto. Imenso. O maior que vi até agora.

Na aduana, quem me atendeu foi um simpático senhor, com 3 argolas na orelha e o braço esquerdo todo tatuado. Bem diferente do Brasil. Foi ele quem deu a primeira carimbada no meu passaporte.:)

Passei pela fiscalização alimentar numa boa, e me encaminhei para fazer o check-in, desta vez pela companhia Qantas. No saguão, um bom exemplo de diversidade: encontrei pessoas de turbante, e o que mais me chamou atenção, uma jovem senhora de burqa. Vestida completamente “dos pés à cabeça”, só fica mesmo as mãos do lado de fora e uma brecha para os olhos. O detalhe era o marido usando jeans e uma jaqueta americana, mas enfim, cultura é cultura.

Dei uma olhada rápida no duty free à procura de um itouch, mas não achei. Fica pra depois.

A bordo de um Airbus, fiz um vôo tranqüilo até o penúltimo destino, onde passaria uma noite.

Darwin

Ao contrário de Sidney, o aeroporto de Darwin é bem pequeno. Na verdade, acabei descobrindo que é uma cidade pequena também. Procurei um cyber café para enviar notícias a minha noiva, e havia apenas uma única máquina para acesso (com firefox!), a base de moedas. Uma ida a casa de câmbio, e tudo resolvido.

Enviei uns poucos emails e aproveitei para fazer um post. Era mais ou menos meio-dia e o vôo para a Díli seria apenas as 13:30 do outro dia, iria pernoitar lá.

Um amigo havia me indicado um lugar chamado Melaleuca Hostel para me hospedar. Fui ao serviço de informações e me lembrei de outra dica: existe um serviço de transporte chamado shuttle saindo do aeroporto para vários destinos da cidade. Perguntei se passava no melaleuca, e ela informou que sim, e que custaria AU$9,00.

Aqui, ao contrário do Brasil, dirigi-se na direita. Meio esquisito a principio. Pelo caminho vejo que a cidade é muito arborizada, com um ar de interior e vida pacata.

Chego ao ponto final. É preciso apenas atravessar a rua e já estou de frente ao hostel. Solicito um quarto individual e corro pra tomar um banho: já era Segunda e o último havia sido no Sábado de manhã. 😀

O hostel é bem bacana. Focado em backpackers, tem quartos compartilhados por AU$ 22,00, com cozinha e banheiros coletivos, além do quarto individual com banheiro privativo, bem mais caro por sinal.

Depois de uma bela descansada, dou uma esticada até o Bar na beira da piscina para provar cerveja australiana e gastar um pouco o inglês. Após umas 3, voltei para o quarto e dormi feito neném. 🙂

No outro dia, ainda sobre o efeito do jet lag acordei ligadão as 5:30 da manhã. Enrolei até umas 7 e então fui tomar café. Há vários restaurantes ao lado do melaleuca, então não foi problema encontrar um breakfest decente.

Aproveitei para ir ao supermercado para ver o que tinha de diferente, comprei umas blueberry para experimentar (gostosinha a fruta!) e voltei para o hostel.

Ao fazer checkout e pedir um taxi, outra surpresa: o carro era um toyota camry novo, com gps, cambio automático e sistema de navegação(depois acabei descobrindo que a maioria dos taxis é assim). Foi a primeira vez que pensei na hipótese de ser taxista. 🙂

No aeroporto fiz check-in pela Air-north e tive que pagar excesso de bagagem. Só é permitido 15kg por passageiro, e cada quilo excendente custa AU$ 5,00.

Neste trecho final, uma agradável surpresa: o vôo que me levou a Díli foi feito em um avião da EMBRAER, de nome brasília. 🙂

O vôo foi tranqüilo (só podia, aeronave brasileira :p) e em menos de duas horas lá estava eu desembarcando no Aeroporto Internacional Nicolau Lobato. Aqui eu passaria pelo menos 6 meses da minha vida.

Quais supresas e novidades me aguardam? pensei, ao pisar em solo timorense. Isto só o tempo poderá responder.

Cruzando o mundo rumo a Dili – primeira parte

Após um período sem conexão fácil a internet e de adaptação ao novo ritmo de trabalho, consegui tempo para postar sobre a aventura que foi sair do Brasil pela primeira vez, e justamente rumo ao outro lado do mundo. Deixem-me registrar a primeira parte da Viagem.

São Paulo

Depois de sair de Fortaleza com o coração na mão por ter deixado minha noiva, família e amigos, chego a São Paulo depois de um vôo calmo. Não tenho muito o que falar da terra da garoa. Fiquei decepcionado de o aeroporto não possuir cinema, então tive que me virar nas cinco horas que fiquei aguardando pela próxima perna.

Santiago, Chile

O vôo foi tranqüilo. A novidade para mim foi o Airbus com tv em todas as poltronas. Através de uma tela touchscreen (havia um controle na poltrona também) poderia escolher entre alguns filmes e séries, além de alguns jogos (xadrez, paciencia, blackjack, etc). Momento geek: após um delay/sobrecarga no sistema, recebi uma mensagem de erro, e assim descobri que sistema rodava em cima de php com mysql!

O momento mais interessante da viagem foi quando sobrevoamos a cordilheira dos andes. Simplesmente espetacular. Tenho que ir lá com a Layla um dia desses…

Já no aeroporto, o que me deixou maluco mesmo foi uma loja chamada Rumbo Sur. Nela encontrei pelo menos 8 tipos diferentes de pingüins de pelúcia, um de quase um metro de altura. Comprei um africano e um imperial. Na volta para Fortaleza vou comprar o grandão. 🙂

O peso chileno é bem desvalorizado em relação ao dólar: 1×642,50, então não precisei gastar muito.

A parte triste foi que na aduana tomaram o meu desodorante. Teria que viajar fedendo por pelo menos mais 14 horas…

Auckland

A próxima parada foi em Auckland, na Nova Zelândia. Neste vôo aproveitei para assistir novamente ao novo filme do Batman. Fatos que me chamaram atenção:

– havia um carrinho de golfe para transportar os idosos.

– Listas telefônicas ao lado de todos os telefones, sendo que havia um para fazer ligações locais gratuitamente. Os telefones também aceitavam cartão de credito.

– Aqui a primeira novidade em viagens internacionais: o rígido controle (ainda bem que me avisam antes, então não tive problemas) sobre comida, materiais feitos com animais ou plantas. A multa para quem não declara e é pego com algo do tipo é de no mínimo 200 doletas.

Aqui também foi tranquilo. Esperei pouco mais de uma hora pelo próximo vôo (que seria na mesma aeronave) para Darwin, onde iria passar um dia. Porém isso é papo para outro post.

A caminho do Timor

Apos mais de 20 horas de aeroporto, estou em Darwin, na Australia. Esta eh a ultima parada para Dili, meu distino final. Como estou acessando de um cibercafe, peco desculpas pela falta de acentos e pela pressa, com a ausencia de links.

O hostel em que fiquei esta noite eh bem legal. Melaleuca hostel.  Ja as cervejas australianas, nao sei nao. Provei 4, so gostei de 2.

Tenho que encontrar agora algum lugar para comer, senao morro de fome.

Em Dili escrevo com mais calma, contando detalhes da viagem. Ate!

Bota longe

Pois é amigos, como expliquei no post anterior, dia 01/11 embarco para Dili, Timor Leste.

Como não poderia deixar de me despedir dos amigos e tomar um bom chopp, estou organizando um “bota longe” neste próximo Sábado, dia 25/10.

Onde?

Restaurante Viva la vaca
Av. Santos Dumont, 2287 – Aldeota (esquina com José Vilar)
A partir das 20:00
Veja o mapa aqui.

Couvert R$2,80. Cerveja e tira-gosto a preços razoáveis. 🙂

Apareça!

Software Livre em novas terras

Durante um bom tempo estou sumido daqui e do administrando.net, mas pretendo reverter a situação daqui pra frente. A ausência teve uma boa causa, a qual compartilho agora com vocês.

A partir de Novembro de 2008 estarei viajando quase 20 mil quilometros para o Timor Leste, uma pequena ilha do sudeste asiático, para atuar como International UNV IT Specialist – System Support & Networking Analyst, dentro do Ministério da Justiça timorense, através do UNDP – United Nations Development Programme.

Um grande mudança, que começou vários meses atrás.

Localizacao Timor Leste

O inicio da aventura

Através do meu amigo Michelazzo fiquei sabendo da existência de vagas para a equipe de Infraestrutura no Timor Leste. Ele passou um ano no Timor atuando como especialista na área de desenvolvimento, e como sabia que coleciono cartões postais, sempre que podia me enviava um. Além disso, no seu blog e em seus emails sempre encontrava bons relatos das suas experiências, que me deixavam sempre com a curiosidade de ver de perto tais lugares.

Ao saber da vaga percebi que teria uma grande oportunidade, pois iria trabalhar fazendo o que gosto, ter uma experiência internacional, conhecer novas culturas e ajudar pessoas com o Software Livre, através de um grande organismo que é a ONU.

Enviei meu resume em Julho e fiquei no aguardo. Uma semana e nada, nenhuma resposta de recebimento. quinze dias, nem sinal de resposta.

É, acho que não foi dessa vez…

Quase um mês depois, no dia 09 de Agosto, quando eu já tinha praticamente desencanado da história, recebo um email informando que eu havia sido selecionado na primeira etapa, e solicitando o agendamento de uma entrevista por telefone, no dia 13. Seria uma entrevista técnica, em inglês e português, e duraria cerca de meia hora. Foi alegria, espanto, medo, tudo junto. Eu teria 4 dias para me preparar, e revisar um pouco os possíveis conteúdos.

A entrevista

Meia noite (sim, meia noite!) o telefone toca. Calma, não é nenhuma técnica nova para medir ansiedade e estresse, é que são 12 horas de diferença de fuso horário.

Em uma ligação ruim, com forte chiado e um delay de uns 2 ou 3 segundos, a entrevista começa. Na verdade, quase um interrogatório: oito pessoas me fazendo perguntas das mais variadas, hora em português, hora em inglês. Apesar do nervosismo, consegui manter a calma e respondi a todas elas. Depois da parte técnica, alguns outros questionamentos de cunho pessoal. Aproveitei para tirar algumas dúvidas e qual foi a minha surpresa ao perceber que havia se passado mais de 40 minutos de conversa! Logo depois, a equipe agradeceu a entrevista e informou que em breve daria um retorno.

Foram 13 dias de espera angustiante, mas no final o destino me reservou uma boa surpresa.

Bem-Vindo a Equipe UNDP Timor-Leste

Vi o email na noite de Domingo, dia 24 de Setembro, mas só consegui abrir na segunda. Nessa hora foi que caiu a ficha: estou saindo do conforto da minha casa, de perto da minha família, amigos e paixão para uma aventura do outro lado do mundo…

Acho que nunca fiquei tão feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ter sido escolhido em um processo de seleção da ONU para uma posição internacional, e triste por visualizar as mudanças radicais que teria na minha vida. Sabendo que para se conquistar certas coisas é preciso abrir mão de outras, e após ter o apoio da minha namorada (agora é noiva!), respondi ao email reiterando o interesse, e solicitando novas instruções.

A partir de então foi uma correria só. Reunir a documentação necessária, exames médicos, vacinas, cursos, finalizar projetos no trabalho atual. Isso sem falar no bombardeio de perguntas que fiz para a equipe no Timor, tentando tirar todas as dúvidas sobre o local em que estarei me metendo.

Aproveitei também para ler tudo o possível sobre o Timor (em outros posts faço as devidas recomendações) e sua cultura, seus costumes, clima da região, enfim, o que eu pudesse ter de informação sobre esta pequena ilha. Depois de me convencer que era seguro, convenci aos meus familiares e namorada.

Rumo a Dili

Dia primeiro de Novembro embarco na maior aventura da minha vida. Serão dois dias de viagem (sim, de avião), 12 fuso-horários e quase 20 mil quilometros. Será um ano de novos aprendizados, novas experiências, amigos e descobertas. Na bagagem levo minha experiência e o desejo de ajudar na reconstrução deste país, além da saudade da Terra da Luz e de todas as pessoas que aqui ficam.

Postarei aqui sempre que possível as aventuras desse geek hackeando o Universo, agora do outro lado do mundo. Espero que gostem e se divirtam juntos!

Confira a lista de candidatos que respondem a processo – e não vote neles!

Em uma atitude digna de menção na Bruzundanga, a Associação Brasileira de Magistrados publicou a lista de candidatos a prefeito e vice-prefeito das capitais. Ok, o Brasil tem mais de cinco mil municípios, e o que deve ter de candidato corrupto no interior deve “vazar pelo ladrão”, mas já é um bom começo.

São 31 candidatos com processos. Só o Paulo Babaluf Maluf tem 7.

Então se você não é do time que vota nulo confira a lista aqui e ajude o país, não votando em nenhum deles.

Final de semestre letivo…

  • 6 trabalhos de Psicologia Organizacional;
  • 8 trabalhos de Contabilidade Geral;
  • 1 de Sociologia do Trabalho;
  • Prova de Economia II;

Tudo isso em uma semana e meia…

Não é a toa que estou sumido.

Mas semana que vem, se tudo correr bem, férias da faculdade! 😀

worpress atualizado para a versão 5.1

Após um bom tempo sem postar nada, estou colocando novamente o blog nos eixos. Aproveitei para atualizar a versão mais nova do wordpress. Fiz uma caca e acabei perdendo o tema que eu havia customizado. Estou procurando por um backup para ver se não perco todo o trabalho. De qualquer forma, estamos de volta a ativa. Em doses homeopáticas, mas funcionais.

Até!

Você já leu o manual do carro?

Antes de viajar para o carnaval pedi para o meu sogro levar o carro à oficina para fazer uma revisão. Nenhum problema. Ainda bem, já que tive imprevistos demais em Janeiro.

Aproveitei então para dar uma relida no manual do proprietário. Ao folheá-lo e notar as observações que fiz da leitura anterior, vi o quanto de informação importante um marinheiro motorista de primeira viagem não teria caso não tivesse me dado ao trabalho de lê-lo:

  • Andar na marcha errada pode consumir até 30% a mais de combustível;
  • Andar em alta velocidade consome bem mais combustível. Além de obedecermos a lei onde o limite de tráfego é 60km/h ainda poupamos;
  • Em altas velocidades, aliviar a pressão no acelerador, por pouco que seja, ajuda a economizar combustível, sem resultar em perda considerável de velocidade;
  • Ao verificar os pneus, lembrar de calibrar também o step;
  • Entender todos os símbolos do painel do carro;
  • Para aliviar a carga sobre o motor e facilitar a partida, acionar o pedal da embreagem;
  • Vale a pena desligar o carro quando estiver esperando alguém, mesmo que não vá demorar mais que um minuto ou dois.

Essas e outras dicas eu encontrei no manual do meu veículo.

Como eu leio de tudo, de rótulo de cerveja à livro, isso é normal. Mas e você, alguma vez já leu o manual do seu automóvel? Deixe seu comentário.

Bom carnaval. E se for dirigir, não beba. 🙂