Palimpsesto digital

Há pouco mais de uma década, praticamente toda a produção cultural estava concentrada nas mãos da grande mídia. As únicas fontes de consulta disponíveis eram jornais, televisão e revistas, que muitas vezes se utilizaram deste monopólio para apresentar os fatos de acordo com seus interesses econômicos, sem nenhuma preocupação com a veracidade da afirmações fornecidas.
A maioria dos veículos era impresso, e devido às imposições desta tecnologia, seu acesso e facilidade de uso era limitado.
Com o passar do tempo e o advento da internet, este panorama mudou, embora o controle da informação ainda estivesse nas mãos dos grandes grupos de mídia. Grandes portais transportaram para o mundo digital as verdades já propagadas na mídia tradicional. A informação, contudo, continuava subjugada.
E então a revolução aconteceu. Os blogs, podcasts, sites de vídeos e de relacionamento modificaram intrinsecamente a maneira de produzir informação.
Temos conteúdo produzido e imediatamente circulando através de posts e trackbacks, emails e pingbacks, em velocidades assustadoras.
Como um palimpsesto gigantesco, na íntegra, modificada ou reescrita, notícias vão e vem, fatos são revistos, novas versões adicionadas, múltiplas opiniões contrastadas.
A manipulação dos grupos dominantes sofreu um baque gigantesco, que já não têm em suas doses homeopáticas e de validade questionável o alicerce da verdade atribuído pelo grande público.
O efeito de licenças livres, como a gnu fdl ou algumas licenças creative commons, alavanca ainda mais este movimento. Tais licenças permitem a alteração e redistribuição de conteúdo, possibilitando que talentos muitas vezes afastados do grande público possam cair nos braços desses.
O artista rompe os grilhões das gravadoras e libera o seu álbum digital. O escritor desconhecido transforma seus artigos em febre virtual. O produtor de filmes amador pode divulgar seu trabalho para milhões de usuários, sem precisar pagar por espaço na TV. Tudo isso ao alcance de poucos clicks. E no final das contas, todos ganham em conhecimento.
Edite, reescreva, mude. Comente, modifique, compartilhe. Faça parte deste grande palimpsesto digital!





Antes temos que esperar a geração analógica morrer!
http://www.milfont.org/tech/2007/11/12/o-fim-do-jornalista-analogico/
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